Práticas feministas e a inclusão de mulheres na Unicamp

A atuação feminista na Unicamp tem acompanhado a história do moderno movimento feminista brasileiro. Ainda em meados dos anos 1970, o Coletivo Feminista de Campinas iniciou suas atividades a partir de um núcleo pioneiro de militância feminista na cidade, criado na UNICAMP para reivindicar creches para as mães e alunas da comunidade universitária. O Grupo de Mulheres da Unicamp, como passou a ser chamado, procurou conhecer as questões debatidas pelo movimento feminista no final dos anos de 1970 e teve participação ativa nos encontros e seminários de mulheres do país, tendo realizado os primeiros encontros feministas da cidade de Campinas, as Semanas da Mulher, nos anos de 1978 e 1979. O fundo de documentação sobre essa atuação disponível no Arquivo Edgard Leuenroth, reúne documentos relativos ao período de 1976-1988.

feministas

Em 2003 o Coletivo Feminista da Unicamp ressurge sob nova versão, através da iniciativa de alunas que perceberam a falta de espaço e debate sobre a situação das mulheres na Universidade e na sociedade brasileira. O grupo é composto por mulheres, o que não impede a participação de homens em atividades abertas, parcerias em projetos, entre outras atividades e se organiza de maneira horizontal e autogestionária e é autônomo em relação a outras organizações ou a partidos políticos. Em sua trajetória de quase 10 anos, o Coletivo Feminista organizou oficinas, exibições de filmes, intervenções artísticas e debates sobre aborto, papéis sexuais, corpo, violência sexual e homossexualidade.

Em intervenção inédita na Universidade frente a situações de violência sexual, a ação do Coletivo Feminista desencadeou em 2007, a criação de um grupo de trabalho com o objetivo elaborar políticas de prevenção e combate a qualquer forma de violência sexual, assédio sexual e discriminações como racismo e homofobia no campus. Esse grupo de trabalho foi composto por representantes de várias instâncias acadêmicas (setor jurídico da Reitoria; Pró-Reitoria de Graduação; SAE; PRDU; DGRH; Núcleo de Estudos de Gênero Pagu representado por Mariza Correa; Coletivo Feminista representado por quatro discentes do IFCH) e organizou oficinas de sensibilização sobre violência contra a mulher para os funcionários da segurança da Universidade, além de uma campanha junto ao SAE, que permanece até hoje no Livreto do Calouro oferecendo definições acerca dos tipos de violência e informações sobre como proceder. Resultou também na construção de um blog naquele momento para relatar situações de violência no campus.

Em 2011, também a partir de casos de violência sexual no Distrito de Barão Geraldo, onde se localiza a Unicamp, era formado o movimento da Marcha das Vadias de Campinas. O Coletivo das Vadias organizou a Marcha das Vadias de Campinas em 2011, seguindo a história das Slut Walks. O motivo da primeira marcha canadense, organizada nesse mesmo ano, foi a declaração de um policial durante sua palestra sobre segurança no campus, em uma universidade de Toronto, afirmando que as mulheres deveriam se preocupar em não sair nas ruas se vestindo como uma “slut”, ou seja, se vestindo como uma vadia, para não serem estupradas. Assim o movimento internacional ganhava contornos a partir das necessidades locais: ao “o que quer que eu vista, onde quer que eu vá, sim significa sim, e não significa não” das canadenses, juntou-se o lema “mexeu com uma, mexeu com todas!” do coletivo campineiro.

Práticas feministas e a inclusão de mulheres na Unicamp de PAGU no Vimeo.



Categorias:Matérias Especiais

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